1.4.11

Documentário sobre Gabriela Mistral

Gabriela Mistral foi a única mulher latino-americana a ganhar o Nobel de literatura. A imagem da chilena no seu país de origem é de uma mulher casta - mas as imagens resgatadas do arquivo mantido por sua companheira, Doris Dana, mostram uma imagem bem diferente: uma mulher apaixonada por Doris, um tanto ciumenta e sexualmente viva.

Parece ser um documentário bem bacana, povo. Eu sempre me pergunto: pra que tanto esforço pra apagar ou ignorar a homoafetividade da história? Que ameaça tão grande é essa que representamos?

Fica a dica pra quem mora em São Paulo ou no Rio. Os horários de exibição estão lá no final da matéria. Fiquem ligades: as datas e os horários são poucos.

Beijos cinematográfico-literários,

Carmen



Filme expõe a Gabriela Mistral que o Chile escondeu
SYLVIA COLOMBO

Uma mulher séria e aparentemente casta, preocupada com a educação das crianças, sempre usando roupas escuras e poucos sensuais.

"A imagem que temos no Chile de Gabriela Mistral [1889-1957] é a de uma estátua, uma mulher sem tonalidades, cinza", diz a diretora María Elena Wood, que exibe hoje no festival É Tudo Verdade "Loucasmulheres".

Pois a cineasta chilena surpreendeu-se quando encontrou, nos EUA, documentos até então não tornados públicos que revelam um quadro diferente da autora de "Poema do Chile" (1967) e única mulher latino-americana a ganhar um prêmio Nobel de Literatura.

A documentarista lera nos jornais que o legado de Mistral, guardado por sua companheira Doris Dana, morta em 2006, estava então com a sobrinha desta, aguardando para embarcar para o Chile.

"Eu precisava chegar a eles antes do governo chileno, senão aquilo iria --como de fato foi-- parar num arquivo e ficar lá abandonado", conta Wood.

Viajou então aos EUA e encontrou a parente de Dana, Doris Atkinson, que lhe deu acesso aos documentos. São centenas de cartas e cadernos, 35 fitas de áudio e vários filmes em 16 milímetros, que trazem os últimos dez anos de vida da poeta.

Nesse período, Mistral assumiu, ainda que de forma discreta, a relação homossexual com Dana.

"Foi por causa do fato de ela ter se tornado lésbica que o Chile preferiu engessar sua memória de outro modo. É um país conservador, só hoje o homossexualismo masculino começa a ser assumido, o feminino, nem pensar."
Divulgação
A norte-americana Doris Dana e a poeta chilena ganhadora do Nobel Gabriela Mistral, que viveram juntas por dez anos
A americana Doris Dana e a poeta chilena ganhadora do Nobel Gabriela Mistral, que viveram juntas por dez anos

Nos registros, Mistral se mostra amorosa com a companheira, ciumenta e sexualmente interessada nela, o que destrói a outra imagem.

Segundo Wood, os chilenos preferem ver na nova-iorquina Doris Dana, mais de 30 anos mais jovem que a escritora, uma mulher aproveitadora, que a teria seduzido interessada em sua fama.

Os escritos contam uma história diferente ao revelar Mistral envolvida no jogo de sedução desde o início.

O relacionamento teria começado em 1948, quando Dana assistiu a uma palestra de Mistral e enviou-lhe uma carta dizendo-se também fã da obra de Thomas Mann.

Mistral, que recebera o Nobel em 1945, recuperava-se ainda de um duro golpe: o suicídio, no Brasil, de seu sobrinho e filho adotivo, Yin Yin, dois anos antes.

O rapaz de 18 anos tomou arsênico e morreu nos braços da poeta. Nas caixas achadas agora, há fotos de sua infância e cartas que Mistral escreveu a ele, depois de morto.

"Mistral nunca se recuperou totalmente e era uma mulher muito sozinha quando encontrou Dana. Viu nela a família que havia perdido."

As duas viajaram ao México e depois à Europa, até estabelecer-se em Long Island. Há imagens do casal em diferentes países e com amigos.

Já os filmes mostram parte do dia a dia em Long Island, cenas da infância de Dana e imagens desta no fim da vida, demonstrando sua tentativa --nunca atingida-- de organizar o acervo de Mistral.

María Elena Wood, que é irmã de Andrés Wood ("Machuca"), estará em São Paulo para o lançamento do filme.

LOUCASMULHERES
DIREÇÃO María Elena Wood
QUANDO hoje, às 21h, no Reserva Cultural, e quinta (7/4), às 13h, no CCBB, em São Paulo; domingo (3/ 4), às 20h, e dia 10/4, às 20h, no CCBB, no Rio
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/896683-filme-expoe-a-gabriela-mistral-que-o-chile-escondeu.shtml

14.3.11

Direto do Túnel do Tempo - parte 2

Bom, agora que eu era uma das Spice Girls - e graças a São Foucault tinha uma ligeiramente fancha - eu ainda precisava tomar decisões muito importantes na minha vida de final de primeiro grau.

A primeira decisão, de fundamental importância para toda a vida na terra e, portanto, de urgência urgentíssima, era sobre o meu futuro marido. Em outras palavras: um guri de umas das boy bands que eu deveria amar com a intensidade que só um amor platônico adolescente tem. E eu, sempre errada, tropeçando nos cadarços na passarela feminina adolescente, em algum lugar entre piranha e freira, nunca conseguia me comprometer com um príncipe encantado...


Toda errada...

Enfim. Entre os mais importantes deveres matrimoniais das fãs estavam:

1- Colar posteres do mancebo no meu quarto.
2- Colar fotos do dito-cujo no meu fichário.
3- Entrar em ferrenhas discussões sobre quem era o mais bacana, o mais bonito, o mais perfeito, etc.
4- Comprar revistas com "entrevistas" e fotos
5- Votar no clipe da respectiva banda no Disque MTV e nas listas de top-10 da rádio.

Mandar cartas era opcional, mas vc ganhava muitos pontos com cartas. Quanto maiores e mais estravagantes, melhor. Se vc sofresse ou se sacrificasse para fazer a carta, do tipo escrevendo o nome do sujeito por folhas e folhas e folhas, melhor ainda. Se incluisse marquinhas de batom vermelho, era um jackpot do status social escolar feminino.



Eu falhei miseravelmente em todas.



Além de ser a Fancha Spice, eu ainda por cima simplesmente tirava nota vermelha em todas as convenções sociais. Por exemplo, eu tinha posteres das Spice Girls demais. Eu tive uma grande discussão com uma menina sobre isso, uma vez. Eis uma reconstituição baseada em fatos reais:

Menina, inspecionando minha parede com as mãos na cintura, com um tom reprovador na voz: _ Por que só tem poster de mulher aqui?!?
Eu, protestando: _ Mentira! Tem um do Nirvana!
Menina, revirando os olhos: _ Nirvana só piora as coisas.
Eu, desesperando: _ Ué, vc não acha o Kurt gato?
Menina, me encarando: _Eu acho, óbvio. Mas e vc? Vc acha ele gato?
Eu, gaguejando: _Claro! Olha só, tem um poster!
Menina, olhando pro meu tênis e pro caimento do meu jeans: _ Você tem um poster do Nirvana, não do Kurt. Nem dá pra ver ele direito...
Eu, apelando: _ Você é que é meio patricinha, sua fútil. O Kurt era contra essas coisas supérfluas, aliás. O importante é o que ele tá cantando, ok?
Menina, hesitante: _Ok. Mas ainda assim tem muita mulher nessa parede!
Eu, buscando desesperadamente alguma coisa no meu Google mental: _ Meninos têm posteres de bandas de homens cabeludos na parede inteira e ninguém fala que eles são gays!
Menina, triunfante: _Bom, primeiro de tudo, eles são meninos, então as regras são diferentes. Segundo, o fato de vc querer usar a regra dos meninos pra vc é totalmente estranho. Vc não tá vendo que são, tipo, duas coisas completamente diferentes? Terceiro, eu nunca disse que vc era gay. Vc é que vestiu a carapuça.

Que fazer, minha gente, quando vc é a única pessoa enxergando algumas coisas (tipo o machismo das regras serem sempre mais tranquilas e bacanas do lado masculino) e a única pessoa a não enxergar outras (tipo vc ser a fancha mais óbvia desde a Cássia Eller, que São Foucault a tenha)?




Aliás, por algum motivo, se vc argumentasse alguma coisa que cheirasse levemente a feminismo, era porque vc obviamente era lésbica. Meninas hétero peitavam o mundo como é e simplesmente pagavam os preços da feminilidade porque elas queriam a recompensa: meninos olhando pra elas com cara de bobos. Além disso, qualquer papo feminista espanta os meninos, então isso era quase um pecado social tão grave quanto não cortar o cabelo regularmente de um jeito bacana. (Eu repetia de ano nessa regra todo ano. Odiava cabelereiro e minha mãe aparava as minhas pontas. Ah sim, eu perdia mais pontos ainda quando descobriam que eu não só não ia no cabelereiro, como também odiava ir e, pra completar, minha mãe cortava meu cabelo).

No segundo requisito, o fichário, eu fiquei em recuperação logo no segundo dia de aula. Minha mãe comprou um fichário com a foto do Rodrigo Santoro, já que eu não me importava o suficiente pra ir escolher um por mim mesma. O fichário me incomodava, porque as meninas queriam parar para discutir o Rodrigo Santoro comigo, me confundindo com uma fã. E eu nem sabia direito o sobrenome do guri. Daí, no segundo dia eu aranquei a capa e fiz uma colagem com os seguintes ítens: guitarras Fender stratocaster, vespas e motos, charges anti-imperialistas, uma foto do Che Guevara, um símbolo de proibido nazismo, uma foto do Nirvana, uma dos Beatles e outra do Pink Floyd. Pra completar, suprema heresia: eu tinha imprimido a Daria bem grande e colocado bem na frente. Pronto, passaporte de pária nerd fancha. Toda errada, olha só...

Pra quem não lembra ou não via Daria na MTV, ei-la:


E aqui, a Daria em ação:
http://www.youtube.com/watch?v=aI4YaLJKFw4

O terceiro ítem da lista era entrar em debates acalorados. Quem me conhece ia achar que eu ia passar direto no terceiro bimestre nessa, já que debater sempre foi comigo mesma. Mas não. Eu simplesmente não tinha muita coisa pra dizer, visto que não estava, veja bem, de fato apaixonadinha por nenhuma das celebridas sem camisa da MTV.


See my point? Ew.

Quarta regra: revistas. Nessa, eu passei colando. Comprar revistas, eu não comprava. Nem Capricho - aliás, especialmente Capricho. Mas eu herdava algumas fotos, visto que as meninas que recortavam as revistas formavam um tipo de comunidade meio-solidária, meio-competitiva (como sói acontecer com gurias). Daí, vc doava o resto do recorte para as amigas que gostavam de um membro diferente. Bom, eu não gostava de membro nenhum, como a gente já sabe, então...

Por fim, sobre votar nos clipes, devo confessar que eu nunca peguei o meu telefone pra ligar pro Disque MTV, mas eu mentia e dizia que tinha ligado "mil vezes". Fazer o quê? Eu precisava manter um mínimo de dignidade. Depois, eu me juntava aos meninos e ia comentar o Garganta e Torcicolo. (Quem lembrar ganha um Lolo ou um Ping pong!)

Comentário final: se eu fosse refazer tudo isso, sabendo o que sei, eu ia chutar o blade do jeito certo dessa vez. Nirvana, sim, mas também The Smiths (só descobri anos mais tarde, na Bunker). Eu ia me deixar ter uma fase Che Guevara, que é saudável antes de nascer barba, mas eu ia acreditar menos em utopias socialistas e desconfiar profundamente de qualquer ditadura, mesmo que do proletariado. Mas, mais que tudo, eu ia inverter a porra toda: eu ia era querer pegar a Fancha Spice, enquanto queria "ser" o vocalista-líder do Westlife. Eu ia ficar um chuchu vestida a caráter, se liga:

31.1.11

Direto do túnel do tempo - parte um

Oi meu povo,

Faz menos 25 lá fora, mas o sol brilha e a vida é bela. Imbuída desse espírito contente e otimista que só a pós-TPM pode trazer para uma mulher, resolvi voltar ao nosso querido Abacaxi para compartilhar um segredo do meu passado.

(Contrabaixo)
(Senta numa cadeira de balanço)

Quando eu ainda era uma pequena girina carioca prestes a entrar no ensino médio, as boy bands estavam em alta - assim como as Spice Girls. Aquele foi um momento de intensa confusão para mim, já que todas as meninas deviam, obrigatoriamente:

1) Querer "ser" uma das Spice Girls e decorar a sua parte da coreografia nos clipes;
2) Querer casar com pelo menos um guri de cada uma das boy bands;
3) Discutir com as outras meninas sobre quem era o mais bonito/bacana;
4) Ter um fichário com fotos dos meninos favoritos, devidamente recortadas e coladas com papel contact nas divisórias;

Bom. Olhando para trás, eu acho que eu olhava para aquilo com um misto de terror e humor - exatamente como os meninos da minha turma.

Capítulo 1: "To be or not to be?" ou "who do you really think you are?"

É claro que eu nunca ia saber, mas existia uma gradação de status entre querer "ser" cada uma das Spice Girls. Era perfeitamente aceitável querer ser a Ruiva Spice (embora vc fosse ser classificada como "uma piranha", apesar de ser virgem); também era bacana ser a Morena Spice do Vestido Preto (embora vc passasse a ser vista como "metida", apesar de também ser virgem); por último, a guria loira - ou o mais próximo disso em Pindorama - recebia o "privilégio" de ser a Loira Spice. Eu topei com pelo menos duas meninas loiras muito envergonhadas em apresentações escolares, visivelmente coagidas a assumir o papel que seus genes lhe determinaram: ser a Loira Spice e subir ao palquinho. Um tipo de arianismo para meninas de 13 anos.

Claro que eu não conseguia perceber isso à época, mas por último na escala social das meninas da sétima série vinham empatadas a Negra spice e a Fancha spice. Não era, de forma alguma, apropriado querer ser a Negra spice ou a Fancha spice. Não. O grupo ia precisar de uma Negra spice e de uma Fancha spice, e vc se resignava por lealdade à matilha, digo, às amigas. Discussões sobre quem tinha o tom de pele mais escuro se prolongavam pelos recreios, entre x-burgueres e babaloos.

Mais uma vez, era óbvio, absolutamente claro, dado por natureza, que não importava o timbre da voz, as habilidades de dança - nem mesmo as personalidades. O que importava, querides, era uma coisa só: CABELO.

E ninguém queria ter que parar de passar chapinha ou prender em rabo de cavalo.

Bom, aí eu me fudi. Eu não sabia p$%&@ nenhuma das regras implícitas, naturais e óbvias de como as meninas devem se portar. Eu sempre disconfiei que rolavam umas reuniões secretas, onde se decidia o que devia ser feito - e não me convidavam só de sacanagem, pra ficar rindo de mim depois.

E daí, inocente, girina e pura, um dia eu cheguei na escola e tinha toda aquela fanfarra.

_ Qual Spice vc é, Carmen?

_ Hein?

Olhos se reviram. Eu sou empurrada até um fichário, observada com um misto de curiosidade e reprovação. Uma foto de página inteira do grupo é colocada na minha frente, solenemente.




_ E então? Qual Spice vc é, Carmen?

Tivesse eu tentado escolher a Negra Spice, isso teria causado uma crise em todo o grupo. Fora a nossa Loira Spice, uma loirinha tímida que não estava muito interessada em "marcar ensaios", eu era a coisa mais branca azeda da sala. Eu odeio praia e o meu pai é cor-de-rosa, entendem? Se eu tivesse escolhido ser a Negra Spice, isso ia ter gerado uma grande confusão no grupo: as mais morenas que eu, e que tinham empurrado a Negra Spice para uma guria ainda menos animada com o tratamento racial do que a Ariana Spice, iam entrar em polvorosa com a desestabilização daquele racismo "discreto".

Pensando bem, como eu queria ter escolhido a Negra Spice! Eu sempre achei que a Negra Spice era engraçada, tinha toda aquela atitude e botinas, era a mais gata, tinha piercing na lingua e tinha o corpo mais bonito de longe.

(Duh. Quem é o cego que ia dizer que aquele corpo incrível não era o mais bonito? Mais bonito ATÉ - suprema heresia - que o da Loira Spice? Uma vez eu fui dizer que achava a Negra Spice a mais bonita e levei uns olhares with lasers. Aparentemente, essa era uma resposta errada para uma menina.)

Observação: Confesso que quando eu estava em público eu não olhava para nenhuma mulher muito gata por mais de 1 segundo, pra evitar aquele sentimento estranho na garganta e no estômago, assim como olhares inquisidores dos que notassem nos meus olhos o que acontecia no meu estômago. Eu sempre troquei de roupa dentro da cabine no vestiário - mulheres peladas me deixavam nervosa e eu definitivamente não queria tirar a minha roupa junto com outras mulheres tirando a roupa e...

Bom, acho que a essa altura todo mundo sabe com quem eu realmente me identificava na foto acima.

Vcs já sabem a resposta dada. Eu não tive escolha, tive? Fancha Spice era a única coisa que eu podia topar ser com um mínimo de dignidade.

Era o salário mínimo. O MMC. Era a Dilma no segundo turno.

Com um risinho no canto das bocas, as meninas me deixaram ir. Pronto, era oficial: além de nerd e branca azeda, eu ainda por cima gostava de video game, futebol e... da Fancha Spice.

9.8.10

Jedi Jodie conselhos valiosos à jovem aprendiz dará.



(Do "Porra, Kristen!": http://porra-kristen.tumblr.com )

Uma mensagem da chanceler alemã Angela Merkel para o mundo:

14.6.10

Tabelinha de Fancha

CUIDADO: piadinha com estereótipo de fancha. Prossiga com cuidado, diálogo, paciência, camisinha, lubrificante e uns carinhos.

Embora seja bem verdade que a nossa vida tenha muitas coisas em comum com a vida hétero - às vezes, mais coisas que eles imaginam - tem coisas que são bem diferentes, não é mesmo?

Sempre pensando nisso, amigas, amigues e simpatizantes, a Abacaxi com Tofu Produtos para o Mar lança a magnífica "Tabelinha de Fancha"!

Tabelinha de hétero (ou bi com namorado):
Namorado:
_ E aí, amor, queria saber se hoje não rolava... Sabe?
Namorada:
_ Ai, lindo, hoje não dá. Literalmente. Estou ovulando!


Tabelinha de fancha:
Namorada 1:
_ E aí, amor, queria saber se hoje não rolava... Sabe?
Namorada 2:
_ Ai, linda, hoje não dá. Literalmente! Vai passar Sérvia e Coréia do Norte!
Namorada 1:
_ Ah é! E amanhã?
Namorada 2:
_ Amanhã a gente tem que dormir cedo, que o jogo de Camarões é às oito da manhã!




Ainda bem que copa do mundo é só de quatro(!) em quatro anos, não é mesmo, minha gente?

23.4.10

: :: Para parecer ume senhorite :: :






Zaza.Fournier - Mademoiselle


Myspace da Zaza Fournier
Clipe de Mademoiselle

Coloco aqui o refrão da música:
Il se maquille
Pour ressembler à une fille
Il met du sent-bon
Et des chaussures à talon
Et des fleurs dans son chignon
Il se maquille
Pour ressembler à une fille
Il est très belle
Se fait appeler Mademoiselle



(a tradução é livre, viu, não super falo francês! rs)
Ele se maquia
Para assemelhar-se a uma moça
Ele usa perfume
E sapatos de salto alto
E flores no coque
Ele se maquia
Para assemelhar-se a uma moça
E é muito bela
Se faz chamar de senhorita


Eu quero o carro do clipe.
;{. (bigodinho)

22.4.10

: :: Jodie F****** Foster :: :

Tava pensando que o Abacaxi tá meio devargarinho e aí, enquanto pesquisava coisas na internet, me deparei com essa foto. Foi um sinal, querides, e eu compartilho com vocês.



Foster. Jodie F****** Foster.

26.2.10

BBB (quem diria?) provocando movimentação política!

Abaixo, texto escrito sobre o atual BBB.

No "BigBrother da diversidade" ganha a resistência hétero

Marcelo Dourado já declarou ter esse papel dentro de casa. Ele que "perde o apetite" com assuntos homossexuais na mesa de almoço, ele que "não quer ser chamado de gay assim como não quer que o chamem de ladrão e assassino", ele que diz ter que ficar longe dos gays para "não ser abduzido" é o personagem mais popular da casa 10 da globo e o mais cotado para levar a bolada de um milhão e meio de reais.



Eu, que odeio globo e bigbrother poderia não assistir e não me importar com isso, não fosse o significado da afinidade do povo brasileiro com o lutador.
Isso me preocupa. O Brasil me decepciona.


Agora está montado o paredão da "diversidade" x a "resistência": Dourado, Angélica e Dicesar estão aguardando os votos dos milhões de brasileiros que dirão quem sai. Com isso será escancarado o apoio do país a um dos lados dessa "briga" que não deveria existir. Dourado ficando, fica declarado que no nosso país ainda só vale um tipo de amor. De resto, preferimos briga. E isso esse programa que vira assunto nacional nos oferece aos montes.


Convido-os, sem incitar uma discussão sobre o programa em si e sua utilidade, a tirar a "resistência hetero da casa", antes que seja tarde. Afinal, os brasileiros precisam começar a entender que ninguém precisa resistir, a homossexualidade não pega, não é um mal, não é crime.


E, vejam, é fácil ignorar e rir do preconceito cego de um ignorante machista que, apesar disso, consegue apresentar outras qualidades. Mas quando essa pessoa está confinada no programa mais visto no Brasil, quando a televisão ainda é a grande formadora de opinião e quando passamos a ouvir das pessoas do nosso lado e dos nossos próprios familiares que concordam com esses comentários e postura, não dá pra ignorar.


Pequenas coisas temos, sim, que fazer.


Escrito por "Felipa de Souza". (pseudônimo)

14.1.10

Familia da Pesada

10.1.10

Abacaxi Com Tofu News

Ooooi povo!

2010 chegando na área! Vamos ver se ele não tropeça nos cadarços e faz um gol, que 2009 foi um ano muito perna-de-pau, não é mesmo, minha gente? Deixou até o Flamengo ser campeão, o Vasco subir de volta e o Fluminense e o Botafogo não caírem, tudo ao mesmo tempo! Haja pernice de pau!


(e haja garrafa de rum...)

Bom, como a maioria de vocês ficou sabendo, eu estou no Canadá. Pois é, pois é. A edição de hoje do ACT News vem do nortão gelado do mundo.



Vou começar com um relatório especial abacaxístico sobre Toronto, enquanto tomo um café e a neve cai na varanda do apê.

Minha gente, a rua gay aqui se chama Church Street. Não é irônico? Se eu acreditasse em alguma divindade, eu ia achar que ela tem um senso de humor um pouco... irônico.



Bom, gente. Aqui não tem um dia Pride. Não. Tem uma semana inteira P*R*I*D*E. É lindo.

O Whole Foods, que é um supermercado onde tudo é reciclável, orgânico, natural, fair trade, apóia o Obama e é socialmente responsável, pendura uma bandeira GIGANTESCA do arco- íris na parede durante a Pride Week. Se liga:



O Museu Real de Ontário, aqui na esquina de casa, também pendura uma bandeirona.



Até uma igreja, a Union, tem bandeirinhas, para meu espanto. Bom, eu devia saber – no ano passado, uns bispos canadenses que estavam visitando o vaticano tomaram um esporro do papa (no mau sentido) porque rola uma tolerância com o povo LGBTTIQQ por aqui, rola casamento gay, rola aborto e os parlamentares católicos “seguem os desejos de seus eleitores”. Juro. Ele tá puto porque os parlamentares canadenses, em vez de seguir a própria religião, seguem a vontade de seus eleitores. Para de rir, é sério. Não, não to brincando!



Que mais? Ah, bem, eu não tomo vergonha na cara e estou casada, novamente. Eu sei, Dalloway vai dizer que eu devia fazer análise, porque eu vivo me apaixonando por mulheres invencível, ontológica e biologicamente monogâmicas. Daí, depois de longos períodos de debates épicos que chegam em acordos piores do que o de Copenhague, eu finalmente aceito a verdade inefável da história lésbica: alguns receptores de vasopressina não podem ser convencidos a se converterem à poliamoria por força dos argumentos... E às vezes o amor é mais importante do que a liberdade, como já diziam todos os gays presos no Irã...



E aí, minha gente, fazer o quê? Amor lésbico é uma força inescapável. Sabem? Vocês sabem, que eu sei! Aquele amor cósmico-lésbico-além-do-infinito...
Aquele amor tem-sempre-alguém-no-cosmos-ajudando-o-cavaleiro-a-vencer...
Aquele amor pra-sempre-eu-vou-te-amar-desesperadamente-eu-sei-que-vou-te-amar-e-depois-que-a-gente-terminar-vamos-ser-grandes-amigas!



Bom... daí eu me caso! Mazel tov pra mim!



Bom, então é isso: estavelmente casada como se eu concordasse com a minha mãe em alguma coisa na vida, feliz como uma criancinha que comeu brigadeiro e está de pilequinho com biotônico fontoura, e com um frio desgraçado, vou chutar o pau (ui!) da barraca e estrear esse blog nesse ano que desponta!



Então, gente, viva a sabedoria do clichê! Achei que seria legal fazer uma listchénha dos melhores e piores momentos de 2009. Chamei Bill, minhe companheire irmãe caminhoneire shell, pra me ajudar nessa empreitada. Vocês também podem ajudar, amiguinhas, amiguinhos e amiguinhes! Deixem aí sugestões na caixinha de comentários – não se acanhem, não é que nem no Spoleto ou nos Correios, onde eles nunca nem abrem a caixa de comentários e sugestões. Aqui o pessoal tem um monte de procrastinação pra fazer!



Todo mundo cantando junto: uma mestranda procrastina lou-ca-men-teeee! Duas mestrandas procrastinam, procrastinam muito ma-ais! (Beijo, Dalloway!)

Sem mais delongas, Senhoras, Senhores e Senhorirs, com vocês... Premio Abacaxi Com Tofu Dos Pió Momento Tudo de 2009! (Bill vai postar a lista dos melhores momentos. Eu to meio amarga hoje, eu ia estragar tudo e reclamar até dos melhores momentos!)


(Não vou nem comentar William Bonner na lista dos caras mais sexy de 2009 do Mixbrasil. Eu sou uma lésbica 5, 999 na escala Kinsey e até EU sei que o William Bonner não é sexy. Come on!)


1 – Projeto de lei “anti-homossexualidade” em Uganda – país que já criminaliza o ato sexual homossexual – que prevê pena de morte para gays e lésbicas, penas para parentes que não denunciarem um gay e penas até para atos homossexuais praticados no exterior. Tudo isso iniciado depois de reuniões de evangélicos dos EUA com líderes e parlamentares de uma sociedade em que lésbicas, gays, bissexuais e transexuais são rotineiramente presos, agredidos e mortos.



2 - Os ataques NAZI-ESCROTOS ao Richarlyson – inclusive por pessoas gays - e o silêncio conivente da mídia em geral

Ridículo. Não tem outro nome. Patético, lamentável, digno de nojo.

Depois de termos visto uma reabilitação parcial das nossas torcidas de futebol – todo mundo lembra daqueles anos tristes em que nossos pais pararam de nos levar aos estádios por causa de violência; depois de termos visto as ofensas racistas sendo combatidas até praticamente sumirem dos estádios; depois de termos visto as mulheres indo aos jogos de futebol em paz, sem precisar aturar (tantos) comentários neandertais de carregadores-de-clava disfarçados de torcedores; depois que dirigentes e governantes foram chamados a se responsabilizar pelas arquibancadas que desmoronavam; depois que as crianças puderam voltar a ir ver jogos nos ombros dos pais sem patinar em mijo nas rampas do Maraca... Depois disso tudo, ainda somos obrigadas a assistir esse espetáculo assustador.

Torcedores do próprio time xingando o jogador. Ameaças de morte e de agressão. Torcedores gays lançando mão da carta covarde do “é só futebol” para participar desse circo de agressão homofóbica. E, com a exceção de uma ou outra coluna corajosa, o silêncio da mídia em geral. E silêncio dos clubes – com a exceção do São Paulo, que continua apoiando o jogador.

E, vou te contar, muito pouco barulho de nossa parte.

Será que a gente precisa que os argentinos nos chamem de viaditos pra gente começar a mudar?

Não sei, mas que foi triste ver a torcida do meu time participar desse tipo de imbecilidade, foi. Partiu meu coração botafoguense – e olha que coração botafoguense é coração calejado!



3 e 4- A censura da Globo (ainda!!!) ao beijo gay E a doideira-barra-amnésia roteirística da minissérie Cinquentinha.

Marília Gabriela representa uma bi que faz par com Ângela Vieira, uma lésbica que, após tomar um boa-noite-cinderela, fica com amnésia bizarra e “esquece” que é gay.

Gente, que idéia de girico... Se fosse assim, o que ia ter de mãe e pastor por aí dando boa-noite cinderela não ia estar no gibi!



5 - O final “Greve de Roteiristas” do The L Word.

Só dois comentários, que senão eu não paro mais:
SUAS TRANSFÒBICAS DOIDAS!

e

QUE PORRA VCS FUMARAM???

6- Uma juíza argentina cancelando a licença de casamento de um casal gay.
Boo! Shame on you! Shane on me!
Mas tudo bem, porque eles receberam uma “autorização especial” (!?) de uma governadora de província e casaram. Whatever pra ela.

7- Posso falar de novo? O papa dizendo que os parlamentares canadenses não deviam votar de acordo com os desejos de seus eleitores, mas de sua religião pessoal, em assuntos como – claro!- o casamento gay. Eu JURO que ele falou isso. Sério mesmo! Não, não foi em 1500, foi ano passado!

8 - Bomba em cima dos companheiro tudo!

Tacaram uma bomba em cima do pessoal no fim da parada gay de Sampa. E, claro, ninguém conseguiu descobrir quem foi o McGuyver que fez uma bomba caseira e tacou de um prédio que TODA uma parada gay viu qual foi.

Muuuito difícil. Mas eu já escrevi um post inteiro sobre isso, então vamos prosseguir.


9- Rozangela Alves Justino, aka aquela mulé BIZA que foi chamada na chincha pelo Conselho Federal de Psicologia porque "curava" gays.



Em 2009. No Rio. Não, não é em Uganda, não.

(eu li em algum lugar que ela não mais atenderá o público. Ahh! To TÃO triste!)


10- O mais novo presidente da Assembléia Geral da ONU, Ali Abdussalam Treki, com o papo de que a homossexualidade is "not really acceptable" e que não é democrático que algums países decidam "permití-la".



Treki disse: "That matter is very sensitive, very touchy. As a Muslim, I am not in favour of it . . . it is not accepted by the majority of countries. My opinion is not in favour of this matter at all. I think it's not really acceptable by our religion, our tradition. “It is not acceptable in the majority of the world. And there are some countries that allow that, thinking it is a kind of democracy . . . I think it is not”.

Claro. Afinal, democracia é quando todo mundo concorda com você. Democracia é quando o pessoal que discorda de você não pode determinar suas próprias regras, porque você sozinho decide o que é democracia!

É lindo. To emocionada. Me dá um lenço.

Ai, meu São Foucault, me ajuda em 2010...

14.12.09

Hir


Um videozinho tratando de gênero.
Um poeminha "leve".

Marcou fundo. Do caralho.



He, She? Nope: Hir.

7.12.09

: :: Bispa lésbica :: :

"Igreja Episcopal de Los Angeles elege primeira bispa lésbica

RIO - A cidade de Los Angeles fez com que, pela primeira vez na História, a Igreja Episcopal tenha uma bispa assumidamente lésbica. A reverenda Mary Douglas Glasspool, de 55 anos, foi eleita para o posto no último fim de semana.

Grupos conservadores da Igreja Anglicana, que reúne 77 milhões de fiéis em todo o mundo e cujo braço nos EUA é a Igreja Episcopal, vêm manifestando forte oposição à ordenação de bispos homossexuais, segundo noticia nesta segunda-feira a rede CNN. Alguns líderes episcopais também se posicionaram de forma veemente contra a eleição de Mary Douglas.

A arcebispo de Canterbury, chefe da comunidade anglicana, emitiu uma nota no sábado afirmando que a eleição de Glasspool "levanta sérias questões não apenas para a Igreja Episcopal e para a sua posição na comunidade anglicana, mas também para todos os fiéis".

A eleição de Mary Douglas é a primeira após um período turbulento em que a Igreja Episcopal ameaçou se separar da comunidade anglicana. A crise havia começado após a ordenação do bispo homossexual Gene Robinson, em New Hampshire, em 2004. Desde então, os líderes episcopais fecharam um acordo com os anglicanos para suspender a nomeação de sacerdotes abertamente gays. A eleição de Mary Douglas está sendo vista como um rompimento do acordo.

Antes de Mary Douglas, que está baseada em Baltimore, Diocese de Maryland, um candidato abertamente gay da Diocese de Minnesota acabou sendo derrotado por outro reverendo em eleição em outubro."

Deu lá no Globo online

10.11.09

: uma vitória! :

COMISSÕES / Assuntos Sociais
10/11/2009 - 14h23

Projeto que pune discriminação contra homossexuais, idosos e deficientes passa na CAS


"A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta terça-feira (10), projeto de lei que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais. A proposta (PLC 122/06), de autoria da então deputada Iara Bernardi, foi aprovada na forma de substitutivo oferecido pela relatora, senadora Fátima Cleide (PT-RO). A matéria agora será examinada pelas comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), antes de seguir para votação em Plenário. Como recebeu alteração no Senado, o projeto voltará à Câmara dos Deputados

A senadora ressaltou que o projeto foi amplamente discutido em várias audiências públicas, com a participação de diversos segmentos sociais, nos dois anos em que tramita no Senado. Com a apresentação do substitutivo à proposta, Fátima Cleide solicitou cancelamento de audiência prevista para debater mais uma vez o assunto na CAS.

A proposta original incluiu a punição de atos discriminatórios por sexo, gênero ou orientação sexual na lei que pune a discriminação por racismo, religião ou local de nascença (lei 7.716/89). O substitutivo da senadora Fátima Cleide ampliou o rol dos beneficiários da lei para punir também a discriminação ou preconceito de origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

- A homofobia é a principal causa da discriminação e da violência que se pratica contra homossexuais e transgêneros. São milhões de cidadãos considerados de segunda categoria: pagam impostos, votam, sujeitam-se a normas legais, mas, ainda assim, são vítimas de preconceitos, discriminações, chacotas - ressaltou a senadora.

Fátima Cleide disse que o substitutivo está embasado em princípios fundamentais da Constituição, que não admite qualquer forma de discriminação.

Na avaliação da presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), O Brasil é "um país livre e as pessoas devem ter seus direitos respeitados". A senadora lembrou a agressão que sofreu a estudante universitária Geysi Arruda, da Universidade Bandeirante (Uniban), por ter ido à aula com vestido curto. Rosalba alertou que situações como essa podem gerar todo tipo de violência."

texto do site do Senado.

5.11.09

: :: Você Sabia? : ::

Você sabia que "os registros arqueológicos mais antigos apontam para 12000 AC na Era Paleolítica onde algumas pinturas de caverna e centenas de "batons" fálicos foram encontrados na caverna de Gorge d'Enfer, em Dordonha na França. Entre os exemplares encontrados destaca-se um dildo duplo supostamente utilizado para em relações sexuais entre mulheres."

A afirmação está lá, na Wikipedia

4.11.09

Bafo!

Sem querer cagoetar, mas já jogando arroz, anuncio solenemente que Bill ganhou um certo concurso de Drag King.

A-HA-ZOU. Juro.

As meninas gritavam tanto que parecia um filme dos Beatles.

22.10.09

Mais uma por ROUPA (!?!@??#??)

Saiu no G1 (19/10/09):

Escola dos EUA nega-se a publicar foto de formatura de aluna lésbica de smoking

Estudante de 17 anos do Mississippi protestou contra a exclusão.
Distrito escolar afirmou que apenas cumpriu jurisprudência federal.

Uma estudante secundarista norte-americana protestou pelo fato de que sua escola recusou-se a publicar uma foto sua de smoking na formatura.


O caso ocorreu na escola Wesson Attendance Center, no estado do Mississippi, sul do país.


Caera Sturgis, de 18 anos, que se diz homossexual e prefere usar roupas masculinas, posou de smoking do que usar a toga geralmente reservada às mulheres.



Ela é considerada uma boa aluna, goleira do time de futebol e trompetista na banda escolar, segundo a imprensa local.

Na sessão de fotos de fim de curso, Caera apareceu vestida como um menino e tirou as fotos de smoking. A escola negou-se a publicar a foto no anuário escolar.

Caera e sua mãe, Verónica Rodríguz, questionaram a exclusão e pediram a uma ONG que intercedesse. Segundo elas, a escola estaria restringindo a liberdade de expressão da adolescente.

Em um comunicado, a administração escolar do distrito afirmou que apenas seguiu "a jurisprudência dos tribunais federais" no caso.


_______ ps.: odiei a chamada, mas...

...só postei isso aqui pq realmente tenho dificuldade com roupas, sua associação imediata com a identificação de gênero e a dificuldade que as pessoas em geral tem com esse fato. - não me excluo disso, só é um tanto difícil...

=/

Curiosidade: ABSOLUT




Let´s talk about Labels

"Welcome to the NO LABEL blog, a place where we – ABSOLUT VODKA – want to challenge labels and prejudice about sexual identity. There are too many labels associated with the LGBT-community and with this initiative we want to find a way around them. We have launched a naked bottle with no label and no logo, to manifest the idea that no matter what’s on the outside, it’s the inside that really matters. With this incentive we invite you to participate in further discussions about labels and prejudice. Once again, welcome to our blog."


http://www.absolut.com/nolabel



14.10.09

Futebol: Leandro Fortes falou tudo o que eu penso.

Achei a coluna muito legal. É da Carta Capital.


Os novos negros

14/10/2009 10:55:16
Leandro Fortes

Não faz muito tempo, o mundo – e o Brasil, em particular –, se escandalizou com as manifestações racistas contra jogadores de futebol que foram hostilizados por torcedores nos estádios europeus apenas porque eram negros. Na Itália e na Espanha, diversos jogadores negros, inclusive brasileiros, foram chamados de “macacos”, “gorilas” e “pretos de merda” por torcidas organizadas dos maiores times daqueles países. As reações foram, felizmente, imediatas. Intelectuais, jornalistas, políticos e autoridades esportivas de todo o planeta botaram a boca no trombone e reduziram, como era de se esperar, gente assim ao nível de delinqüentes comuns. Ainda há, eventualmente, exaltações racistas nos gramados, mas há um consenso razoavelmente arraigado sobre esse tipo de atitude, tornada, universalmente, inaceitável. Você não irá ver, por exemplo, no Maracanã, torcidas inteiras – homens, mulheres e crianças – gritando “crioulo safado” para o artilheiro Adriano, do Flamengo, por conta de alguma mancada do Imperador. Com a PM circulando, nem racistas emperdenidos se arriscam a tanto.

Mas, ai de Adriano, se ele fosse gay.

No sábado passado, espremido no Maracanã ao lado de meu filho mais velho e outras 57 mil pessoas, fui ver um jogaço, Flamengo 2 x 1 São Paulo, de virada, um espetáculo de futebol. Quando o time do São Paulo entrou em campo, as torcidas organizadas do Flamengo, além de milhares de outros torcedores avulsos, entoaram, a todo pulmão: “Veados, veados, veados!”. Daí, o painel eletrônico passou a anunciar, com a ajuda do sistema de autofalantes, a escalação são-paulina, recebida com as tradicionais vaias da torcida da casa, até aí, nada demais. Mas o Maraca veio abaixo quando o nome do volante Richarlyson foi anunciado: “Bicha, bicha, bicha!”. E, em seguida: “Bicharlyson, Bicharlyson!”. Ao longo da partida, bastava que o são-paulino tocasse na bola para receber uma saraivada de insultos semelhantes. No ápice da histeria homofóbica, a Raça Rubro Negra, maior e mais importante torcida do Rio, e uma das maiores do Brasil, convocou o estádio a entoar uma quadrinha supostamente engraçada. Era assim:

“O time do São Paulo/só tem veado/o Dagoberto/come o Richarlyson”.

Richarlyson virou alvo da homofobia esportiva brasileira, com indisfarçável conivência de cronistas esportivos, jornalistas e colegas de vestiário, a partir de 2005, quando fez uma espécie de “dança da bundinha” ao comemorar um gol do São Paulo, time que por ser oriundo do elitista bairro do Morumbi acabou estigmatizado como reduto homossexual, ou time dos “bambis”, como resumem as torcidas adversárias. A imprensa chegou a anunciar o dia em que Richarlyson iria assumir sua homossexualidade, provavelmente numa entrada ao vivo, no programa Fantástico, da TV Globo – o que, diga-se de passagem, nunca aconteceu. Desde então, no entanto, o volante nunca mais teve paz. No Maracanã lotado, qualquer lance que o envolvesse era, imediatamente, louvado por um coro uníssono e ensurdecedor de “veado, veado, veado!”. Homens, mulheres e crianças. O atacante Dagoberto entrou de gaiato nessa história apenas porque, com Richarlyson, forma uma eficiente dupla de ataque no São Paulo.

Agora, imaginem se, no Morumbi, a torcida do São Paulo saudasse o atacante Adriano, do Flamengo, aos berros de “macaco, macaco, macaco!”, apenas para ficarmos nas analogias retiradas do mundo animal. Ou, simplesmente, entoasse uma quadrinha do tipo criada para a dupla Dagoberto/Richarlyson, dizendo que no Flamengo só tem crioulo, que Adriano enraba, sei lá, o Petkovic. O mundo iria cair, e com razão, porque chegamos a um estágio civilizatório onde o racismo tornou-se motivo de repulsa, mesmo em suas nuances tão brasileiras, escondidas em piadas de salão e ódios de cor mal disfarçados no elevador social. Usa-se, no caso dos gays, o mesmo mecanismo perverso que perdurou na sociedade brasileira escravagista e pós-escravagista com o qual foi possível transformar em insulto uma condição humana que deveria, no fim das contas, ser tão somente aceita e respeitada. Assim, torcedores brasileiros chamam de veados os são-paulinos em campo como, não faz muito tempo, nos chamavam, os argentinos, de “macaquitos”, em pleno Monumental de Nuñes, em Buenos Aires, para revolta da nação.

Quando – e se – a lei que criminaliza a homofobia no Brasil, a exemplo do racismo, for aprovada no Congresso Nacional, será preciso educar gerações inteiras de brasileiros a respeitar a sexualidade alheia. Espero, a tempo de recebermos os atletas que virão às Olimpíadas de 2016, no Rio, provavelmente, no mesmo Maracanã que hoje se compraz em xingar Richarlyson de veado. Por enquanto, a discussão sobre a lei está parada, no Brasil, porque o lobby das bancadas religiosas teme abrir mão de um filão explorado por fanáticos imbuídos da missão de “curar” homossexuais, ou de outros, para quem os gays são uma aberração bíblica passível, portanto, da ira de deus.

Nos jornais de domingo, nem uma mísera linha sobre o assunto. Das duas uma: ou é fato banal e corriqueiro, logo, tornado invisível aos olhos das dezenas de repórteres enfiados na tribuna da imprensa do Maracanã; ou é conivência mesmo.
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http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5263

Se tiverem estômago, leiam os comentários. Por favor, comentem a coluna - acho importante manifestarmos nosso apoio a ele e também tentarmos rebater os comentários.

Remarks by the President at the Human Rights Campaign dinner

5.10.09

Em uma van no sábado passado...

Rumo a uma partida de futebol, campeonato feminino. Vamos que vamos.



Uma van cheia de 13 fanchas-barra-bis e uma atacante simpatizante-ultra-simpática. E um motorista se divertindo como nunca. A artilheira e seu noivo-técnico foram de carro, o que libertou da inibição o povo do arco-íris e a simpatizante simpática, que até cantou junto e tocou chocalho.

A van era assim:



..só que cheia de fanchas-barra-bis e a Simpatizante Simpática, pra ficar inclusivo e politicamente correto. O sonho de toda fancha adolescente: todo mundo de calção, meião e chuteira, cantando o seguinte hino de caserna:

"Soooooooou....
(insira aqui piada barata que junta o nome do time e "sapatão") de coraçãããão...

VIM POR MULHER!
MEU GRANDE AMOR!
Graças a deus, sou sapatão!

Vamos cantar! Vamos jogar!
Eu sou do time que nunca foi campeão!
Mas tudo bem! Eu vou jogar!
E no final a mulherada eu vou pegar!"

Claro que o hino foi composto pela Dalloway. Nem precisava dizer, né, gente?

Na versão proibidão do funk, o hino era batucado no teto e nas paredes da van, com o último verso trocado por "e no final a mulherada vai me dar". Phino.



Depois do momento fanchas-ogros-marinheiros dentro da van, muita simpatia e elegância na quadra. Jogo limpo, jogo lindo! E jogo nervoso - mas foi bonito estar lá.



Muita força pro futebol de gurias - do arco-íris ou não - nesse nosso país do futebol ainda machista e homofóbico até a última ponta.

Um beijo por cobertura, querides!

28.9.09

UN


É, galera...tá foda!!! Nem na ONU dá pra gente se apoiar:

O mais novo presidente da Assembléia Geral - Ali Abdussalam Treki - veio com o papo de que a homossexualidade is "not really acceptable".

Durante uma conferência, no último dia 18, foi feita uma pergunta sobre a Resolução em debate que versa sobre a discriminalização universal da homossexualidade. O cara respondeu isso aqui:

"That matter is very sensitive, very touchy. As a Muslim, I am not in favour of it . . . it is not accepted by the majority of countries. My opinion is not in favour of this matter at all. I think it's not really acceptable by our religion, our tradition.

“It is not acceptable in the majority of the world. And there are some countries that allow that, thinking it is a kind of democracy . . . I think it is not,”


Eu gostaria MUITO que ele conceituasse DE-MO-CRA-CI-A.


23.9.09

FIlme na quinta: "Assim diz a biblia"



Vamos, queridas e querides???

10.9.09

Em Gaza

BBC Brasil


Menina muda de sexo em Gaza













Uma menina da Faixa de Gaza fez uma operação de mudança de sexo, depois de descobrir um desequilíbrio hormonal.

Por quinze anos, Fátima Abed Rabbo viveu como uma menina na cidade de Jabalya, mas no início da adolescência ela começou a se sentir mais como um menino.

A família fez testes e descobriu que Fátima tinha altos níveis de testosterona e precisava de uma operação de mudança de sexo.

"Um médico aqui da Faixa de Gaza queria cobrar três mil dólares por cada uma de três operações, mas nós não tínhamos o dinheiro, então decidimos fazer tudo no exterior. Quando estávamos organizando a viagem, havia uma equipe médica espanhola especializada em urologia em visita ao território. Então fomos até o hospital de al-Awda e nos encontramos com os médicos", disse o pai de Odai, Majd Abed Rabbo.

"O médico o internou apenas dois dias antes de voltar a seu país. Ele fez uma só cirurgia em vez de três."

Agora, Fátima é Odai. E ele não é o único transexual da família. Uma prima dele, Ola, hoje se transformou em Nader.

Apesar de ser uma decisão difícil numa sociedade conservadora como a palestina, a família acha que esta foi a coisa certa a se fazer.

"Eu me sinto muito mais confortável agora, como se tivesse nascido de novo. Me sinto livre. De qualquer maneira, eu prefiro ser homem, porque esta sociedade privilegia os homens em relação às mulheres. As mulheres em nossa sociedade não são respeitadas e suas ideias tampouco", diz Odai.

Ele vai continuar a receber injeções de testosterona pelos próximos 8 meses e deve passar por mais uma cirurgia. Odai planeja agora estudar jornalismo e se dedicar a defender os direitos das mulheres palestinas.

7.9.09

Boa Semana

Oi, gente!


Gostaria de desejar uma boa semana!

O que vocês acham de curtirmos o feriado vendo a parada militar de 07 de setembro?



Esquadrilha da Fumaça mostrando que o exército não
esqueceu da comunidade Gay em seus eventos!



NOT.



Enfim, gostaria de recomendar também que todes vejam a Qu
inta Temporada de House. Está impertdével, if tou know what I mean.





Olivia Wild brincando de médica com as pacientes.


É, eu sei que a temporada começou faz tempo, mas não tem como esquecer uma médica dessas, que usa suspensório pegando (e como) mulher.


Ótima semana a todes!

3.9.09

Mais um, porra!

Viva a Democracia americana, merdaaaaa!!!

Dia 1 se tornou legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo no estado de Vermont.
Agora são 4 estados: New Hampshire, Massachusetts e Connecticut também permitem a união.



Mas nem tudo são flores: um grupo fundamentalista mané chamado Westboro Baptist Church acredita que a morte dos soldados americanos no Iraque é um punição divina em reação ao crescimento da tolerância (?????) à união homossexual na américa.


Phelpses

Ha-ha. Faz me rir!

Pra quem é beeeem maluco, nossa querida Alison Bechdel (DTWF) deu a dica de que uma guria chamada Lauren Ober anda seguindo essa galera e blogging sobre eles o dia todo!!!! Aqui o blog dela.
Gente, essa guria é muito frenética: o blog é beeem atualizado...achei MUITO legal!

É isso, pessoas. Mais um pontinho no mapa pra quem acredita na instituição! Uhul!

1.9.09

The dog who was a cat inside

Ou como me sentia há alguns anos atrás.



http://www.youtube.com/watch?v=mOeqShdf-gY


Belíssimo curta de animação que me lembra minha própria jornada. Na verdade, acho que qualquer gay se sente assim.

25.8.09

Abacaxi com Tofu News + caderno especial tietagem fancha

Olá, povo fancho e amigues e simpatizantes!

Vamos para algumas rapidinhas, que essa noite eu to com dor na coxa do futebol de ontem.

1) Guia prático e dedático para o sexo lésbico

http://www.erikamoen.com/comics/girlfuck/cover.htm

Essa é para o amigo ht curioso, para aquela sua amiga ht muito gata e curiosa, para o amigo bicha curioso, para o amigo fancha curioso, para a sua amiga girina curiosa... E até para nós, experientes jedis, fazermos uma reciclagem (sabe como é, tem fancha desde antes de existir látex) e compartilharmos conhecimento acerca da nossa verdadeira orientação sexual: as mulé.

2) Mais uma notícia vaga e sem link do mixbrasil...
http://mixbrasil.uol.com.br/upload/noticia/11_101_74010.shtml

Aparentemente, o STF pediu uma pesquisa pra saber a quantas andam as decisões de primeira e segunda instância sobre direitos do povo do arco-íris. Cadê o link para a pesquisa, pessoal do Mix?

E a notícia diz que a "justiça de 9 Estados aprova a união gay" - mentira. Em 9 Estados a pesquisa achou foi ALGUMA decisão favorável. Ou seja, a gente está contando até os Estados que tenham negado todos os pedidos, menos um.


3) Mostras de fotos no Rio - mês da visibilidade lésbica

http://mixbrasil.uol.com.br/upload/noticia/2_146_74020.shtml

2 mostras de fotos. Bora comparecer, guries!


4) Festa quinta-feira pra nós, fancharada e afins!

Festa do Laços e Acasos - não precisa pagar lhufas!
21hs
rua do resende 26, lapa



Programação completa do mês da visibilidade: http://paradalesbica.com.br/2009/08/caminhada-e-mes-da-visiblidade-lesbica-no-rj/


::::::::: CADERNO ESPECIAL TIETAGEM - ABACAXI COM TOFU :::::::::

Meu povo, continuo apaixonada pela Rachel Maddow.



The butch is back!
(back to where, back from where, those are the questions, but nevermind)



Ai ai... Chega a doer meu coração...



Gente, meu marcapasso! Socorro!



A very, very pertinent question.


Era isso. Câmbio final, desligo!

Carmen Sandiego, levemente insone.

20.8.09

judyko

Prezades leitores,
decidi começar a missão que me foi passada ao entrar para o nosso queride Abacaxi como 'postadora'. A intenção era dar uma certa continuidade ao meu antigo blog (judyko - para aqueles que não pescaram: dyke + judaico), escrevendo um pouco sobre a intersecção dos dois assuntos: o universo queer e a comunidade judaica.
Como imagino que nem todes tenham muito interesse por questões religiosas/espirituais, vou tentar fazer posts mais pontuais. Acho interessante colocarmos certas questões em evidência, já que o tempo todo ouvimos falar de posturas e crenças das igreja Católica Apostólica Romana, Batista, Luterana e muitas classificações de igrejas Evangélicas, mas nunca entendemos ao certo qual a posição dos diferentes ramos da tradição judaica.
Pois bem. Vou começar apenas colocando em questão o grande tabu que qualquer assunto LGBT é para a comunidade aqui no Rio de Janeiro. Na minha experiência pessoal, conheço pouquíssimas pessoas judias que saíram completamente do armário – e as que saíram, ou é porque foram morar em outro país, ou é porque suas famílias são afastadas de atividades com a comunidade. Isso porque eu nem estou falando da ortodoxia (mas vou comentar mais a fundo sobre as diferentes vertentes em posts posteriores).
Até dois anos atrás eu acreditava que as comunidades judaicas ao redor do mundo eram todas meio parecidas. Mas pude vivenciar de perto durante alguns meses, a efervescente cultura judaica de Nova Iorque, e me deparei com uma diversidade e um esclarecimento absurdo. E pretendo justamente falar sobre as experiências, pensamentos e análises desse mundo novo que se abriu para mim.
Começo divulgando alguns websites muito interessantes:
Jewish Mosaic – um site que com muitos artigos sobre interpretação de textos bíblicos e relação com temas de diversidade sexual e identidade de gênero
TransTexts – artigos e citações que discutem traduções de trechos da Torá (muitas vezes equivocadas) e questões de divisões binárias de gênero X multi-gender
Institute for Judaism and Sexual Orientation – que é um grande portal elucidativo e educativo de como algumas comunidades judaicas vem lidando com essas questões de maneira mais humana e com o intuito de propiciar congragações que acolham a diversidade, ao invés de segregá-la
Por fim, gostaria de saber se temos outres leitores que se identifiquem com o assunto e tenham também informações e experiências para compartilhar, para poder complementar essa jornada com suas visões particulares.

להתראות (leitraot)

Marcadores:

15.8.09

Sunscreen

Eu sei que todo mundo já conhece. Sei que é velho pra caraio. Mas as vezes eu gosto de rever.

Só queria dividir o momento.





"But trust me on the sunscreen."

12.8.09

Animação LGBT

Pessoas,

nos dias 01, 08 e 15 de setembro, vai estar acontecendo aqui no Rio a Íris - Mostra Internacional de Animação LGBT. Segundo o site oficial: "Foram selecionados 21 filmes de animação de curta metragem de diversos países: Brasil, África do Sul, Austrália, Bulgária, Canadá, Dinamarca, EUA, França, Países Baixos, Reino Unido, Suécia e Turquia.".

Imagem do site oficial


Todas as exibições vão ocorrer às terças-feiras, no CCJF - Centro Cultural Justiça Federal que fica na Avenida Rio Branco, 241 - Centro.

O ingresso custa só 6 reais a inteira e as sessões serão exibidas às 19:00 e 20:30.

Eu já estou confirmando presença, galera! Que tal um pouco de apoio à comunidade somada a uma diversão barata e garantida?

Nos vemos lá!

10.8.09

sem palavras

http://veja.abril.com.br/120809/homossexuais-podem-mudar-p-015.shtml


Apenas 5 comentários:

1) sou gay
2) sou feliz assim
3) não quero mudar
4) TENHO MUITO ORGULHO DISSO

5) a humanidade as vezes me deixa com um misto de vergonha e nojo

3.8.09

Chupa essa manga?!?!?!

Gente, essa é a música que a Mirella, namorada do Latino, gravou para nos "apoiar".

Agora vejam vocês:



Minha humílima opinião é que tem algumas pessoas que deviam nos ajudar indo "ajudar" nossos inimigos, né não, minha gente?

Mirella, babe, obrigada, mas da próxima vez será que podias escrever uma música de apoio aos skinheads-evangélicos? Hein, chuchu?

29.7.09

Tango Queer

¡Hola, chicas y chiques! ¿Como están?

Acabei de voltar de uma viagem de 2 semanas pela cidade mais gay-friendly da América Latina. Uhuuull
Os prédios antigos e bem conservados de Buenos Aires, suas árvores sem as folhas, os stencils dando um ar ainda mais politizado à cidade:


by me

Ai, ai... valeu a pena...

Mas vamos ao que interessa, não é mesmo? Turismo de grupo de ônibus não é o que se espera desse post.

Depois de tacar sua (enorme) mala no dormitório do hostel, qual a primeira coisa que você deve fazer? Procurar o Gay Map, mas é claro!!!! Você corre pra procurar um dos pontos de informação pra turista e.......tá fechado. Nããããão!!!! /o\ - dia 1: 1x0 pros Portenhos

Você olha pro letreiro: Axel Hotel. "É aqui mesmo!" Na porta percebe que tem algum evento acontecendo. Logo te informam que tem que ter o nome na lista pra entrar e que o tema é - nada que você vá ficar muito triste de não participar - algo sobre negócios voltados para o público gay.
Na recepção um viado muito bonito te entrega o G Map e fica te olhando. "Saco." Pra não ser muito grosse eu pergunto se ele sabe algo sobre lugares dirigidos às gurias. "Casa Brandon, hmm, não é a primeira vez que falam do lugar." dia 2: 1x1. Boi Bill empata.

Os dias passam, o casal francês que você adorou te conta que vai embora no próximo dia;
estão os três no quarto: eu deitade, estou nos últimos capítulos de Stone Butch Blues. Ela - você já deu uma espiada - lê Foucault. "Ai, ai...nem é gata. Ah, e é casada também."
Do nada, por algum motivo totalmente desconhecido e absolutamente sem nexo com a realidade, ela pergunta se você já ouviu falar de Judith Butler. "Claro!" A guria ri e diz já ter conhecido - não biblica (Uh! Na trave!) - mas pessoalmente a musa des Queer e simpatizantes: estava num café, uma fancha cantava ou dizia alguma coisa sobre não gostar das teorias da Butler. No final, Judith levanta e se apresenta à uma fancha levemente avermelhada, dizendo ter adorado o que a menina falou.
A francesa fala alguma coisa sobre achar estranho uma lésbica se colocar contra a teórica queer. Você concorda, mas depois fico pensando: não...não é tão difícil entender. Só quem sente, mesmo que de leve, o incômodo que o binário de gênero pode causar, é capaz de "entender". Conversa boa! 2x1 pre gender-queer aqui.

Caminhando pelas belas ruas de Palermo com chuva e frio, tudo o que você vê são lojas e mais lojas. Finalmente você chega à Plaza Cortázar, ponto turístico cheio de bares e lojas. Entrando numa delas, um casaco listrado te chama a atenção e, enquando você se dirigir pra perguntar o preço pra vendedora, do seu lado vê uma guria te olhando. "Hmm, uma fancha gatinha!" Faço que não vejo, pergunto pra outra se tem um número menor - não tem - e se posso vestir. A fancha continua olhando e você dá a resposta internacionalmente conhecida, aprovada e sancionada pela Presidente do sindicato: olha de volta sem mostrar TANTO interesse e faz que não entendeu.
Depois de vestir o casaco, abro a cabine pra olhar no espelho. Dou de cara com a guria, que tá lá, também seguindo o protocolo: finge fazer algo de extrema importância pertinho da cabine.
O casaco não ficou legal, é da sessão masculina e só tem M. "Droga!" Enquanto devolvo pra vendedora, percebo a mulé lá, ainda dando mole. Agradeço e vou saindo da loja. Mas aí eu paro, dou de ombros, volto, pergunto se a fancha trabalha lá e que horas sai. "Sí. A las ocho."
Fomos à Casa Brandon. Foi bom:


Casa Brandon


Agora você tem um objetivo: ir ao Tango Queer! SIM, temos tango pra gente!!!


Cartãozinho

"Todos los Martes
." Terça-feira. Boa! 21:30. Partiu!
Chego às 21:40. Na recepção a menina diz que a aula começa antes, que a Milonga - quando a galera vai dançar - é as 21:30, a aula é as 20hrs. "MERDA!" É sua última terça na cidade. "E agora? Assistir ou não assistir? 15 pesos só pra ficar olhando? Hmm...olhando gurias dançando tango!?"
Você sobe, abre a porta e:


photo © Emily Anne Epstein 2009

(Como eu fiquei com vergonha de ser a única sentada, tirando foto, tem umas aqui. O lugar é o mesmo.)
Muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo:
eu sentei, completamente hipnotizada pelas pessoas na pista - a aula parecia estar no meio pro final. A maioria era de mulheres: vestidos, saias, salto alto. Você acha graça de ver que a única que aparenta ser butch - e eu lá sei como ela se identifica! - é a professora. No meio da multidão nota um casalzinho que faz o seu tipo. Ou melhor: uma delas faz. Cabelo batidinho, camisa preta, calça larga. Você esquece que não deve ficar encarando dessa maneira - é tão incrivelmente bonito! O corpo, as pernas quase se tocando, girando, se olhando. "Morri!" Ela percebe que você tá olhando e dá uma encarada. Eu desvio. Olho as outras duplas, a professora me intriga e eu começo a prestar mais atenção. "É elA, não é?!" Eu não costumo ter dúvida, sabe. É que nem com fancha, sempre dá pra saber. E, apesar de não ter dúvida de que é female born, a questão fica no ar.
Eu fico entre o leve incômodo com a professora e o delicioso incômodo das pessoas dançando, e eu ali, sentada.

A aula acaba e eu decido ir perguntar pra professora de outros lugares com boas aulas de tango. Quando ela pede pra eu esperar um pouco, um susto: a voz é de um cara! Eu fico zonza, sem entender bem o motivo. Não estou mais prestando atenção nas pessoas. Ela volta e eu não estou prestando muita atenção: olho as roupas, o cabelo, o jeito. Queria que a conversa fosse outra, mas é claro que nada além de tango pode ser discutido.

Você está sentade conversando com algumas mulheres mais velhas, trinta e poucos, que são muito simpáticas. Uma delas, até beeem bonita, dá mais papo. Conversa, pergunta, responde. Será que é a idade dela que deixa você menos confiante? Sim e não. É uma auto-confiança diferente, uma atitude, sei lá. Situação inesperada e nova. Gostei dela. (Com o canto do olho você percebe onde a fancha gatinha da pista se senta.)
De repente percebo que a mulherada ta levantando. Vão uma a uma se despedindo de mim. A fancha da atitude dá um sorriso e pergunta se nos vemos na próxima aula. Eu respondo que não, volto na segunda pro Rio. O sorriso some. Ela se despede e vai. Eu penso: "é, deveria ter agido antes." Uma das mulheres chama uma guria do outro lado, diz meu nome e fala pra eu ir ficar com elas. É o grupo da fancha gatinha!

No meio da conversa descubro que a guria é americana, ufa, o inglês facilita a vida das duas. Até porque, do nada estamos discutindo política e direito: Constituição americana x brasileira, diferentes interpretações das leis pelos juízes...delícia! Aí ela me vem com o papo de que tango é só caminhar. Ha-ha. "Yeah, right!". "Ok, I'll show you." A gente levanta e ela diz que vai guiar. Eu paro, olho, levanto uma sombrancelha... "What? You wanna lead?" Haha, claro que sim! Mas não sei como, então, não tem jeito: ela põe a mão nos meus ombros, eu seguro os braços dela e ela manda eu fechar os olhos - outra levantada de sombrancelha. Segundo ela, é mais fácil pra ser guiada. Ela diz pra eu sentir a força (Ui, menina, não faz/faz assim!) que ela faz com os braços, que é pra onde eu devo ir. A gente dá duas, três voltas. Umas risadas, giradinhas.

Aí as outras meninas da mesa voltam: entre elas a menina com quem ela tava dançando. Quando paramos a "andadinha" de tango e ficamos conversando, a outra vem por trás e abraça a guria, te olhando com cara de "essa aqui tem dona". Opa! Nós voltamos pra mesa, eu sento e elas vão dançar. A namorada faz questão de beijar a gatinha enquanto me olha. "Xii!"
Eu assisto mais um pouco a Milonga - elas dançam bem - e vou me despedir. "Why so soon?" "Por causa da tua mulé que quer me matar!" penso.

Andando pro albergue eu me sinto satisfeita. Valeu muito ter "só" assistido.

Seus dias na cidade vão passando entre cafés, caminhadas, corte de cabelo novo, o fim dos seus Blues favoritos, caderninho sendo escrito e muito frio.

E uma decisão: cansei de mulheres sem atitude. Quer, vem buscar!
Não entendo por que ficar esperando a outra chegar. Se gostou do que viu, vai lá, oras.

E pra vocês, meu lugar favorito:


Puerto Madero


¡Hasta luego!